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Eu conheço bem aquela torre
Que vai subindo, em ponta,
Para o céu, aguda
Como um grito ! Ela sente, como a vida muda
Cá em baixo... Parece que não faz conta !
Não é das mais bonitas, mas eu gosto dela
Assim esguia, espetada para o alto,
No alto da praça. Aquela
É a torre que me ficou na memória,
Assim esguia, espetada apara o alto,
E fez parte de toda a minha velha historia...
Morei, sempre, na sua vizinhança...
Vinha
Ouvir missa, em criança,
Na igreja a que pertence aquela torre...
Ela me viu passar, no dia em que eu tinha,
Na cabeça, um véu e uma grinalda... Continua
Sempre a me ver passar pela rua,
Eu, sozinha...
E aquela torre do alto da praça, esguia,
Espetada para o alto,
Espia
O grande jardim dos meus sonhos de outrora,
Onde o destino enreda esta vida de agora...
Lá do alto, a minha velha torre espia...
Desde a primeira vez, ela assiste
Tudo... Vê quando chego. Vê quando
Saio. E vê quando a estou fitando,
Que o meu olhar é cada vez mais triste...
Às vezes, enche o jardim, badalando
Cousas profundas... Já ouviste
Como badala
A minha torre ? Põe-te a escutá-la !
Na voz da minha torre, um coração existe !...
Parece que não faz conta,
Espetada lá no alto da praça...
Mas não ! Repara na expressão daquele gesto seu !
Ela vê tudo o que se passa
Cá em baixo... E aponta
Para o céu !... |