IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

Coveiro do Amor

Poesia

Ilka Maia

ALVORADAS - São Paulo, 5 de maio de 1.923 - Á minha madrinha Ninette Ramos.

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Como um triste coveiro, humilde e complacente,

Que passa a vida só, num vasto cemitério,

Eu passo os dias vãos de meu viver funéreo

No cemitério atroz de meu amor descrente.



Vejo erguer-se da terra o bando penitente

Dos sonhos que enterrei nas valas de um mistério !

Pelos dobres do sino, além, no Presbitério,

Mortos gritam de angustia e choram longamente !...



Batem... Ouço um clamor de choro á minha porta !

Abro-a !... Oh ! Que bateu foi meu coração

Trazendo-me a chorar mais uma crença morta !...



E eu... Tomo a minha enxada... E humilde e complacente,

Abro a cova... Anoitece... E eu de joelhos no chão,

Eu... Ponho-me a chorar desesperadamente !...