| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Conceito de Perdão |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| A GRANDE JORNADA |
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| Ponho-me, às vezes a pensar sozinha |
| Como teria a mente humana |
| Forjado o entendimento de perdão ! |
| Pintaram-me de bela essa coisa mesquinha, |
| E eu a vejo, somente, um grosseiro borrão ! |
| Perdão --- por certo nasceu do medo |
| E da vaidade, num remoto passado... |
| Representa, por certo, em grotesco arremedo, |
| Alguém de joelhos, apavorado |
| Aos pés de alguém soberbamente armado ! |
| Perdão --- por que ? para que ? Na verdade |
| Perdão não tem finalidade |
| Nem proveito. |
| É idéia vazia de ficção ! |
| Perdão -- não apaga o mal feito !... |
| E afinal, quem se achou no direito |
| De ofender, não precisa de perdão ! |
| Sim, perdão --- não cala os arrependimentos... |
| Perdão --- jamais resgata um desatino ! |
| Perdão --- não cura os ferimentos, |
| Perdão --- jamais devolve a fé que s desgasta ! |
| --- Quem vem dando e ganhando perdão pelo destino, |
| Um dia há de aprender que perdoar não basta ! |
| E há perdão de toda sorte, |
| Por aí... Perdão de amor, de compaixão, |
| De ódio ! E de ironia ! |
| E até perdão de hora de morte ! |
| ... Se acaso eu te perdoasse um dia, |
| O que farias tu com meu perdão ?... |