IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

Calúnia

Poesia

Ilka Maia

A GRANDE JORNADA

* * * * * * * * * * *

Todas as mágoas que sofri na vida,

Todas passaram como tudo passa.

Tive-as, grandes e longas... E andei perdida

De dor, pelos caminhos da minha desgraça.



Foram apenas

De amor, profundas e infinitas !

Golpes da ingratidão, machucaduras

Covardes, plenas

De humilhações malditas !

E foram, do abandono, as negras amarguras.



Mas todas passaram, que o tempo as levou...

De todas e todas, só uma ficou !



Esta

É aquela que o tempo não apaga !

Esta

É a dor de calúnia !...

--- É o crime que não se fez e que se paga !



E ninguém nos perdoa

E ninguém sabe quanto nos custa !

Calúnia dói na carne, dói na alma !

E não há dor que tanto doa

E tanto dói porque é injusta !



Foi infâmia, foi mentira !

Mas quem escuta o caluniado ?

--- Ser caluniado já é ser culpado !

Calúnia basta e calúnia atira

Uma existência inteira

Na fogueira !



Calúnia é ferro em brasa na cara

Da gente !

É cara marcada com fogo na frente

Da própria verdade ! Calúnia

Não cicatriza, é ferida

E queima ! E arde ! E vai conosco ao fim da vida

Assim doendo eternamente !



Calúnia é a palavra mais escura do mundo !

É o pensamento

Mais feio e mais imundo

Da maldade humana ! Calúnia mata !

Calúnia extingue a fé e esmaga o sentimento...



Calúnia persegue o caluniado

A cada instante, noite e dia !
Calúnia caiu sobre o meu passado...

Passou o tempo... E todas as dores que havia,

O tempo levou...

Passou o tempo, embranqueceu-me a fronte... E todavia

--- A dor da calúnia jamais me deixou !