| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| A Alma da Rua |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| PLANTA DA PEDRA |
| * * * * * * * * * * * |
| Quando voltei, daquela estranha enfermidade, |
| Para o bulício, para a beleza, |
| Da rua, |
| Toda a cidade |
| Teve uma exclamação de surpresa ! |
| Um clamor me seguiu, de rua em rua !... |
| As calçadas notaram passos dolorosos |
| No meu pisar : "Tens os pés machucados ? " |
| Perguntaram. Os letreiros luminosos |
| Disseram : "Trazes, agora, |
| Uns olhos torturados |
| De quem chora ! "... |
| As janelas dos prédios, lá de cima, |
| Debruçaram-se, pálidas de espanto : |
| "Será ela mesma essa que se aproxima ?... |
| É ela, sim ! Mas, tem mudado tanto !" |
| E os viadutos, ouvindo o espanto |
| Das janelas, |
| Resmungaram : "Que tagarelas !" |
| Mas pensaram baixinho : "Tem mudado tanto !..." |
| Os parques verdes refloridos, |
| Entristeceram-se ao ver-me e, comovidos, |
| Abanando flores, num lamento, |
| Ficaram murmurando com desgosto, |
| Como se fosse um sussurro de vento : |
| "Que estas sofrendo, vê-se no teu rosto"... |
| Assim fui andando |
| De rua em rua, |
| Transportando |
| Em silencio, comigo, a imagem tua... |
| Toda a cidade é minha amiga e sente |
| Quanto estou triste e voltei diferente ! |
| Assim andei, de rua em rua... |
| Mas quando os sinos das igrejas |
| Me viram, compreenderam tudo ! |
| E estremeceram pela cidade, na melodia |
| Dos seus badalos ! Todos os sinos das igrejas |
| Me abençoaram ! " Eu te saúdo !" |
| Cantaram todos, na melodia |
| Doas seus badalos : "Bem-vinda sejas"! |
| E se benzeram : " Ave-Maria "!... |