IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

As Duas Almas

Poesia

Ilka Maia

ALVORADAS - São Paulo, 25 de outubro de 1.922 - A meu Primo, Gastão Maia

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Noite fria e sem luz no céu de minha vida !

Minh'alma, imersa em dor, vagava abandonada...

De súbito parou, e viu, compadecida,

Outr'alma soluçar com voz dilacerada !...



" Porque choras ? Que tens, lhe disse comovida !

Oh ! Vamos, minha irmã, és muito desgraçada ? "

E ela disse-me, erguendo a fronte dolorida :

"Oh ! Não me fales não ! Não me perguntes nada !



Eu levo no meu peito o fel de muitas dores,

Pelo monte sem fim de meus infindos ciúmes,

Arrastando comigo a cruz dos meus amores !...



E minh'alma seguiu... Seguiu abandonada,

Murmurando sozinha em tímidos queixumes :

-- "E eu !... Triste de mim que nunca fui amada !..."