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As Botas de Sete Léguas
Poesia
Ilka Maia
PLANTA DA PEDRA
* * * * * * * * * *
Que idade
Tens tu, Paulista ?
Quem foi que te batizou, há quatrocentos anos,
Em cima da primeira pedra da cidade ?
Dessa pedra que tinha de ser a mais bela conquista
Dos anseios urbanos !
Como foi que saíste, menino,
Marchando, de botas, na rua ?
E cresceste gigante
E levaste, na alma e no sangue, o destino
Que te fez Bandeirante !
Como foi que vieste assim, daquele canto
Que é o velho Pátio, feito uma silhueta
De herói, trazendo no teu ser, quanto
Andaste há quatro séculos, a herança que trazias !
-- Perseverança de Anchieta
Audácia de Fernão Dias !
Como foi que fizeste esta cidade minha ?
A cidade rainha
Do planalto,
Que sobe para o alto
E alastra para todos os lados, desmedida,
Numa invasão febril, palpitante de vida !
E estende asfalto em fitas
E rasga praças bonitas
De cores
E cava túneis e escora
Viadutos por cima de flores
E espeta chaminés debaixo das estrelas
E arma bairros de hora em hora !
Estrangeiro ! Venha ver a cidade
Que tem botas de sete léguas, caminhando
Sobre o mundo !... Estrangeiro !
Venha ver a fraternidade
Fidalga dando
O que tem ao mundo inteiro !
Venha ver a fidalguia Bandeirante,
Generosa e altiva,
Oferecendo a grandeza que é sua,
Aos netos do imigrante !
Venha ver o imigrante, pela rua
Paulista, esquecer sua terra nativa
Entre os braços da terra Bandeirante !
Venha ver São Paulo sonhando na praça
E erguendo arranha-céus dentro da garoa !...
Venha escutar, as pulsações da pedra, como soa
O coração da raça
Das Bandeiras centenárias !
A raça que saiu do Pátio com as botas lendárias
De sete léguas, num impulso profundo,
E caminha sobre o mundo !...