| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Arvore na Tormenta |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| A GRANDE JORNADA |
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| Arvore seca, arvore nua... |
| Nua e sozinha ! |
| Que arvore foste ? Que é da tua |
| Ramada verde ? Porque tens no teu gesto |
| A expressão de alguém que caminha |
| E já vem de tamanha |
| Caminhada e ainda escala |
| A encosta da montanha ?!... |
| --- Sou eu mesma ! Perdi todas as folhas, |
| Todas as flores ! |
| Fui arvore de luta ! Neste ingrato lugar |
| Do meu destino, há tufões destruidores, |
| Borrascas traiçoeiras, |
| Noites enormes, sem luar ! |
| Minhas folhas, minhas flores, |
| Tempestades levaram pelas ribanceiras, |
| No eterno anseio de matar !... |
| Roubaram-me as cantigas, |
| A sombra benfazeja |
| E tudo o que enobrece as arvores antigas... |
| O ultimo golpe que dos céus me veio, |
| Feriu-me o cerne, mutilou-me o tronco, |
| Enegreceu-me galho a galho ! |
| Podem ver-me, de pé, em meio |
| Dos relâmpagos, plantada na tormenta |
| Feito um negro espantalho ! |
| Sou alguém que caminha, |
| Sim ! E não te enganas |
| Quando me dás ao gesto as expressões humanas... |
| Sou alma triste que restou sozinha |
| Na grande luta de viver ! |
| Subo a montanha para os horizontes, |
| Cumprindo o fado mau, que mutilou meu ser !... |