| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Adoração |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| PLANTA DA PEDRA |
| * * * * * * * * * * * |
| Como estão branqueando os teus negros cabelos ! |
| Que depressa branqueiam cada dia ! |
| Quantos poemas de dor escreveria, |
| Se pudesse dize-los, |
| Os poemas que estão no branquear dos teus cabelos !... |
| Não é o tempo. Há misteriosos dedos, |
| Com fios brancos a escrever segredos |
| Na tua fronte, para o meu olhar... |
| Na tua fronte, meu olhar vê, meu olhar sente, |
| Feita de prata resplandecente, |
| Uma alma branca de luz lunar !... |
| Têmporas brancas !... Inquietudes ? Zelos ? |
| Lutas ? Arrependimentos ? Calem-se os motivos, |
| Passem fugitivos, |
| Restem silenciosos... |
| Que importa a alguém sabe-los ? |
| Quanto mais embranquecem teus cabelos, |
| Mais os teus grandes olhos ficam luminosos !... |
| E embranquecendo e embranquecendo, |
| Serenamente sorris... |
| Quantos cabelos brancos vão nascendo, |
| Enquanto dizes que és feliz ! |
| E eu !... Que espanto, |
| Que medo em teu olhar parado, |
| Quando aos teus cabelos meu olhar levanto ! |
| Eu... Quase chorando ao teu lado, |
| A temer que embranqueça |
| Toda essa linda cabeça !... |
| Tu não temes ! Os teus negros cabelos |
| Branqueiam cada dia ! |
| Tu sorris, todavia ! |
| Pelos |
| Teus brancos cabelos, |
| Resplende uma alma de luz lunar... |
| Não sei, não sei porque me assalta, ao ve-los, |
| Esta vontade estranha de ajoelhar !... |