| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Adeus de Joelhos |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| AREIA NA ALMA |
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| Deixo-te, minha cruz, a meio do caminho. |
| Tu que foste a negra companheira |
| Dos meus dias sem luz... |
| Digo-te adeus, muito baixinho... |
| Deixo-te aí, que já não posso de canseira, |
| Minha divina, minha linda cruz ! |
| Desde menina te enxerguei gravada |
| No fundo |
| Da minha alma ! Amei-te a sombra ! |
| E tudo o que sonhei e pensei neste mundo, |
| Foi, nos teus braços, morrer crucificada ! |
| Desceste do infinito céu, lírica e linda |
| E pousaste em meus ombros... Caminhei ! |
| Muitas vezes exausta, te levei de rastros... |
| Rolei contigo, levantei-me ainda ! |
| De pranto e sangue, toda te manchei ! |
| Hoje, deixo-te, deixo-te caída |
| No chão com teus braços abertos |
| Que ainda me chamam na despedida ! |
| Covarde, irei. Arrastarei meus passos, |
| Não sei para que intérminos desertos... |
| Irei. Bem dita sejas, |
| Pelos poemas de dor que encontrei nos teus braços !... |
| Adeus. Eu fracassei. Julguei-me feita |
| Centelha de divindade !... |
| Vejo-me, agora, muito imperfeita, |
| Humildemente humana, desejando paz, |
| Esbarrei em mim mesma, na vaidade |
| E no egoísmo ! Amei-te, mas de ti não fui capaz ! |
| Foi longa e triste a caminhada. Havia |
| Um vergastar constante |
| Que me magoava e me feria |
| A carne ! E risadas de mofa ! |
| E dentro de mim, a fé, tremendo, agonizante... |
| Beijo-te os pés ! Dou-te este sangue ardente |
| Que do meu coração goteja ! E este pranto, |
| Todo este pranto que jorra versos a flux ! |
| Deixo-te, sim. Vou, tristemente |
| Por aí, sozinha ! Adeus ! Adeus no entanto ! |
| Adeus de joelhos, minha linda cruz !... |