| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| A Torre de Santo Agostinho |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| PLANTA DA PEDRA |
| * * * * * * * * * * * |
| Eu conheço bem aquela torre |
| Que vai subindo, em ponta, |
| Para o céu, aguda |
| Como um grito ! Ela sente, como a vida muda |
| Cá em baixo... Parece que não faz conta ! |
| Não é das mais bonitas, mas eu gosto dela |
| Assim esguia, espetada para o alto, |
| No alto da praça. Aquela |
| É a torre que me ficou na memória, |
| Assim esguia, espetada apara o alto, |
| E fez parte de toda a minha velha historia... |
| Morei, sempre, na sua vizinhança... |
| Vinha |
| Ouvir missa, em criança, |
| Na igreja a que pertence aquela torre... |
| Ela me viu passar, no dia em que eu tinha, |
| Na cabeça, um véu e uma grinalda... Continua |
| Sempre a me ver passar pela rua, |
| Eu, sozinha... |
| E aquela torre do alto da praça, esguia, |
| Espetada para o alto, |
| Espia |
| O grande jardim dos meus sonhos de outrora, |
| Onde o destino enreda esta vida de agora... |
| Lá do alto, a minha velha torre espia... |
| Desde a primeira vez, ela assiste |
| Tudo... Vê quando chego. Vê quando |
| Saio. E vê quando a estou fitando, |
| Que o meu olhar é cada vez mais triste... |
| Às vezes, enche o jardim, badalando |
| Cousas profundas... Já ouviste |
| Como badala |
| A minha torre ? Põe-te a escutá-la ! |
| Na voz da minha torre, um coração existe !... |
| Parece que não faz conta, |
| Espetada lá no alto da praça... |
| Mas não ! Repara na expressão daquele gesto seu ! |
| Ela vê tudo o que se passa |
| Cá em baixo... E aponta |
| Para o céu !... |