| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| A Taça Vazia |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| A GRANDE JORNADA |
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| A vida me traiu a cada passo. |
| E insatisfeita, vendo que arquejo de cansaço, |
| Friamente, |
| Para matar a minha sede ardente, |
| Hoje me oferece uma taça vazia ! |
| E eu que por um momento tive a fantasia |
| De crer que aquela taça contivesse |
| Isso de que a minh'alma nômade carece ! |
| Riu-se a vida... E num gesto de perversidade, |
| Deixou-me, entre as mãos, a taça da Verdade ! |
| Devo aprender, desta cruel maneira, |
| Que em sonhos esbanjei uma existência inteira ! |
| Há o castigo do sol ardendo feito brasa ! |
| E o castigo da areia que escaldando abrasa ! |
| E em torno, sem caminhos, no silencio aberta, |
| A vastidão deserta... |
| Devo redimir-me nesta ultima prova ! |
| Porém, o velho mal de sempre se renova... |
| E apertando nas mãos a taça enganadora, |
| Impenitente sonhadora, |
| Eu sonho ainda como todo poeta ! |
| E sabendo que está vazia, imagino-a repleta |
| Do teu amor ! E algo buscando que me satisfaça, |
| Desvairada de dor, colo os lábios à taça !... |