IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

A Ronda

Poesia

Ilka Maia

PLANTA DA PEDRA

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No interior do meu ser, como se fora

Dentro de uma soturna fortaleza,

Ronda, penando, a sombra sofredora

De um desejo sonâmbulo de fuga,

Penando e arrastando toda a sua tristeza !



Tem correntes nos pés e cadeias

Nos pulsos... Mas desvairado, noite e dia

As órbitas acesas de febre e cheias

De sonho, vigia

Os horizontes, pelo vão das ameias...



Libertar-se ! Fugir !... O mundo é pouco

Para a sua ambição desmedida de espaço !

E, dentro do meu ser, o prisioneiro louco

Fica delirante e bruto,

E se rebela

Furioso, sacudindo as cadeias de aço !



Eu lhe escuto o tinir das correntes malditas

E as blasfêmias lhe escuto !

Depois, de novo, a negra sentinela,

Silenciosa, sonha e ronda

As amplidões rasgadas e infinitas...

E recomeça a dolorosa ronda...