| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| A Jardineira |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| AREIA NA ALMA |
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| Eu tenho facilmente renunciado |
| A tanto bem que fora, no passado, |
| Felicidade, para mim ! |
| Fui uma estranha jardineira |
| Que destruiu, na vida, o seu pobre jardim... |
| Plantei minhas flores, desde a trepadeira |
| Até aquelas pequeninas |
| Violetas rente ao chão. |
| Amei cravos, orquídeas e boninas |
| E as lindas rosas cor de sangue, |
| Tintas de dor e ardentes de paixão ! |
| Mais que a todas, amei essas humanas rosas ! |
| -- Pétalas rubras de carne rota |
| Em cada canto do meu jardim... |
| Dei-lhes, do meu coração, todas as dolorosas |
| Lágrimas, gota a gota... |
| Era uma jardineira apaixonada assim ! |
| Mas qualquer cousa acontecia |
| Que ia mudando a vida... E muito fria |
| E muito altiva, a jardineira então |
| Foi arrancando, uma por uma, todas |
| As suas ricas flores, com a própria mão ! |
| E hei-la seguindo, de olhos secos, firmemente, |
| Sem pesar nem amargores, |
| Muito altiva e muito fria até o fim ! |
| Foi-se embora... |
| Ninguém sabe onde vai, olhando à frente, |
| A jardineira que não quis mais flores |
| E um dia abandonou o seu pobre jardim ... |