IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

A Ira

Poesia

Ilka Maia

A GRANDE JORNADA

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É bela a Ira ! Autentica princesa,

Conserva eternamente a índole nativa

Dos impulsos de origem, no átomo vital.

Tem a beleza

Primitiva

Do animal !



Humanizada,

Gritou na Horda o seu primeiro grito !

Cresceu na caverna, trabalhando granito

E veio, avançando na imensa escalada !



Que importa a barreira das leis e conceitos ?

Mau grado cultura, costumes e normas,

A Ira estremece, levanta-se, investe !

E tu, Homem vestido de preceitos,

Que é feito de ti que te transformas

No remoto animal de onde vieste ?...



Ela sobe do abismo perigoso

Do teu ser

Vem nua, vem audaz, no ímpeto furioso !

Ataca de frente, a rugir e a tremer !



Tem cabelos de chama,

Os olhos vingadores,

Palpitantes as narinas !

Grita o ciúme selvagem de quem ama,

As revoltas divinas

De todo sofrimentos e todos os rancores !



É centelha,

Emoção, é vibração vermelha

Gerada no sangue dos instintos !

Dinamismo de luta

Explodido em descarga de anseios famintos,

De dentro das paixões da Natureza bruta !



Recua o medo ! Esconde-se a Ironia...

Covardes e vilões !... A Ira não recua

E não se esconde ! Salta bravia,

Nobremente nua !

Sabe matar ! Sabe vingar !

-- Tanto é mais bela quanto mais violenta, e tanto

Mais violenta quanto

Mais a fera humana é capaz de amar !...