IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

A Abertura 2

Comentários feitos por jornalistas, Menotti Del Picchia ( Correio Paulistano - Álvaro Augusto Lopes
( A Tribuna ) ( A Gazeta ) ( O Estado de São Paulo ) Correia Júnior ( A Gazeta ) Na orelha do Li-
vro PLANTA DA PEDRA , publicado em julho de 1.954 em homenagem ao IV Centenário de São Paulo.
COMENTÁRIOS feitos por jornalistas no LIVRO A GRANDE JORNADA, publicado em 1.978.
Plinio Salgado de ( A gazeta ) e outros. Ilnio 05/08/2000

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( O Estado de São Paulo ) O miraculoso santo tutelar da cidade, continuou seus maravilhosos prodígios, Ilka Maia, uma meninazinha de onze anos apenas, com um desses talentos que fizeram de Mozart um gênio criança, com espanto de sua professora, pôs-se a escrever versos extraordinários.
Extraordinários por florirem na tenra haste desses frágeis onze anos... Extraordinários porque conheço muitos poetaços barbudos e cabeludos e muitas poetizas cabotinas e metidiças que não podem emular com a criança prodígio.
Quis ter as premissas na revelação desse talento infantil, que escreve coisas que deixam pensar à gente grande...
... Pois são esses versos de uma talentosíssima e linda criança paulista de onze anos apenas. Eu lhe beijo, reverente, as pequeninas mãos...
A propósito do Livro "Alvoradas".
Menotti Del Picchia - Correio Paulistano
Este livro de versos, sob a epígrafe " Areia Na Alma ", de Ilka Maia, é, na forma e no fundo, diferente de quantos nos tem sido dado ler nestes últimos tempos. Diferente no bom sentido, pois a poetiza não recorre a processos de estilo, a idéias e vocabulários que revelem esforço torturante para nos impressionar e comover. A nota saliente é a sinceridade, que diz em voz alta o doloroso tumulto dos seus pensamentos, o ressábio amargo das suas decepções, a promessa consoladora das suas esperanças.
Ilka Maia é uma autentica individualidade de poeta, pelo calor que imprime aos versos correntios e expontâneos, pela eloquência das suas queixas e da sua ternura, pela coragem das suas revoltas contra as ingratidões.
Es síntese, descobrimos em " Areia na Alma ", a presença de uma poetiza de aguda sensibilidade, que temos de aceitar, sem restrições impertinentes, tal como se apresenta, na força bravia das suas afirmações de artista... Sempre se impondo pelo que tem de verdade, nos seus versos nervosos, trepidantes, que parecem jorrar dum jacto. Álvaro Augusto Lopes -- A Tribuna --
A poesia de Ilka Maia se caracteriza por uma força, uma exuberância pouco comum na poesia feminina. Uma sensibilidade artística de grande vibração, que deve merecer a admiração dos apreciadores do verso.
( A Gazeta )
Ilha Mia, cujos versos aparecem com freqüência em nossas revistas literárias, acaba de reunir em volume com o título "Areia na Alma ", boa parte de sua obra poética.
Para dar idéia da sua inspiração, bastará apenas uma estrofe:
"Mulheres ! Mil mulheres do meu grande mundo - interior - Eu as conheço, Mas não sou capaz - de responder a alguém -- que lá do fundo -- de mim mesma -- todo dia me grita : -- Ilka, onde estás ?...
"O Estado de São Paulo"
Ilka Maia, que a tempos nos brindou com um lindo volume de poesias, festivamente recebido pela critica, acaba de publicar uma nova coleção de poemas a que deu o batismo de "Areia na Alma".
Ilka Maia reveste a sua mensagem poética das características de um vôo, livre, sem dependência as leis da métrica, obediente, apenas, ao ritmo da sua sensibilidade e do seu pensamento. Sua profissão de fé, vem claramente expressa em confissões como esta: "Quero o ritmo livre como a asa dos ventos -- Correndo o azul de abertos firmamentos".
Essa libertação de todos os preceitos da velha Arte poética permite-lhe realizar surpreendentes aventuras verbais, imprimindo às emoções e às idéias um selo expressional não raro colorido de profunda beleza e encantadora graça lírica.
O areal que ela estende aos nossos olhos povoa-se de miragens fascinantes.
Dir-se-ia que uma sereia estranha vem do fundo das águas próximas até a brancura do arenoso deserto... Para ali despojar-se de suas penas e glorificar o " esplendor dos momentos felizes ", transmitindo-nos o harmonioso mistério que lhe vibra no íntimo...
Corrêa Júnior ( A Gazeta )
Uma Poetisa --- Fragmentos de um discurso
Ilka Maia nasceu inspirada como as auroras nascem luminosas e as flores, desatando harmonias de aromas, e a noite, vertendo sobre as coisas adormecidas o clarão misterioso das estrelas...
Nascer poeta,,, é uma fatalidade. O poeta não se faz, nasce. Nasce como Ilka Maia, trazendo a aureola imponderável dos videntes.
Compôs versos aos onze anos.
Cursava um grupo escolar. Revela, incontestavelmente, a possibilidade da mais alta musa feminina do nosso Estado.
Oferece-nos imagens, raras, magnificas, impressionantes; conceitos surpreendentes, sentimentos que se transmitem emocionando. --- É uma afirmação invulgar de talento. --- Causa admiração. E o que mais se admira nela é o sentido do equilíbrio, o critério natural, a ausência de atitudes que seriam naturais em sua idade.
Os poetas nascem como o Sol, para mostrar a terra e, como a noite, para mostrar o infinito...
Ninguém os ensinou. Chegaram e disseram : eu sei ! E puseram-se a cantar.
Não há escolas, há artistas. Os poetas são como os magos: -- anunciam-se. Ilka Maia anunciou-se, como um grito vermelho de clarim riscando a parede azul da madrugada...
Plinio Salgado - Novembro de 1.923
"PLANTA DA PEDRA"
Depois de "Areia na Alma", um punhado de poesias em que a autora se revela uma "autentica individualidade de poeta", Ilka Maia nos oferece agora "Planta da Pedra"-- poemas inspirados pela cidade de São Paulo e reunidos em volume em sua homenagem: poemas de uma "paulista de verdade".
São versos de exaltação de uma grande cidade, versos de exaltação do seu grande povo e de sua historia desde "a perseverança de Anchieta" à "audácia de Fernão Dias", desde a "Praça da Sé --- e sem preconceitos" ao Viaduto do Chá, suspenso sobre o Parque...
Cantando sua cidade, a Poetiza de certo modo sacrificou seus poemas, deixando-se dominar pelas ressonâncias da eloquência, em prejuízo do verdadeiro pensamento poético, que é fruto da contemplação e da serenidade.
...Mas entre outros, há uma página do livro de Ilka Maia, que vale por toda a obra --- "Hospitalidade"-- página que tem momentos aurorais dignos de um verso áureo de Pitágoras... "A Gazeta"J.I. - São Paulo, 20 de nov. de 1954.



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