IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras

A Capela dos Enforcados

Poesia

Ilka Maia

PLANTA DA PEDRA

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Quando se passa em frente da capela,

Vê-se a parede enegrecida !

É fumaça de vela...



Há fileiras de velas brancas derretendo...

Bagos de cera quente derretida...



A parede é negra de súplicas ! Foi enegrecendo...

As súplicas ficam marcadas

Apenas na parede, com fumaça de vela !...



Deus não está, decerto, na capela !...



Moram lá dentro, esculturas geladas,

Guardadas

Em nichos... É argila !



O homem transforma

A argila bruta e fria, em figuras de santo,

Pelo desejo humano de pedir ! E à argila

Santificada, imprime a sua própria forma !



Para a eterna fraqueza, fez o amplo manto

De proteção lendária ! A dor, tenta iludi-la

Rasgando chagas redentoras

Nos símbolos de mártires ! Braços abertos

De perdão, inventou-os de medo,

Por suas culpas destruidoras !



Quer o Pai, que o ampare, em seus passos incertos,

Menino grande, homem pequeno ! E desde cedo,

Se a gente passa

Em frente da capela,

Vê fileiras votivas de vela,

Ardendo em súplicas negras de fumaça...



Deus estará talvez, numa longínqua estrela !...



E a fumaça das súplicas não chega aonde

Deus se esconde !...



As súplicas ficam estampadas em fumaça de vela,

Na parede negra da capela...