| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Divina Loucura |
| Poesia |
| Ilka Maia |
| AREIA NA ALMA |
| * * * * * * * * * * * |
| Quando me feriste, da mais vil maneira |
| Com que um homem fere uma mulher que o ama, |
| Eu fiquei má ! Fechei, o coração, |
| Todos os espinhos venenosos da tua traiçoeira |
| E feia ingratidão ! |
| Humilhada e vendida ao teu capricho, |
| Torturada de vergonha em mãos alheias, |
| Contra tudo lancei o meu orgulho vingativo, |
| O rancor deste sangue desdenhoso e altivo, |
| Que odeia, revoltado, em minhas veias ! |
| Não houve no meu ser nenhuma voz amiga |
| Para dizer essa palavra santa que perdoa ! |
| Nos meus olhos soberbos, frios e serenos, |
| Não houve, nem ao menos, |
| Uma lágrima boa ! |
| Mas se um dia, se um dia |
| Viesse para tua alma, esse arrependimento |
| Verdadeiro e belo, que eleva o homem, |
| Que redime o crime, nesse dia, |
| Sim ! Eu choraria ! |
| Esqueceria todo o negro sofrimento ! |
| E choraria... |
| Nem sei ! Nem sei, meu amado ! |
| Decerto eu me poria de joelhos |
| Diante de ti, culpado como tu és ! |
| E como se jamais foras culpado, |
| Eu te pediria perdão de quanto me fizeste, |
| Louca, de joelhos, beijando-te os pés !... |