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Na minha rua, no
cinqüenta e nove,
Eu vivia alegre, sem pensar na vida,
E o meu vizinho do cinqüenta e sete,
Debruçou no muro e me chamou, querida.
E deu-me um galho de uma trepadeira,
Galho de uma roseira,
Pra plantar no meu jardim,
Depois pegando minha mão nervosa,
Encostou no coração e jurou gostar de mim.
E a trepadeira que eu plantei, cresceu,
Tomou conta da varanda, carregando-se de flores,
E eu também, que não pensava em nada,
Só lembrando o meu vizinho, carreguei de amores.
Mas veio um dia, pro cinqüenta e cinco,
Uma jovem chic, uma virgem em flor,
E o meu vizinho do cinqüenta e sete,
Foi falar com ela e jurou-lhe amor.
Deu-lhe também um galho da roseira,
E a mesma trepadeira, pra plantar no seu jardim,
E eu chorando no cinqüenta e nove,
Compreendi que meu vizinho, não gostava mais de mim.
E a trepadeira, que eu plantei murchou,
E morreu desiludida, com a ilusão de quem promete,
E eu também senti morreu no peito,
O amor do meu vizinho, do cinqüenta e sete !
Bis...
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Ilnio de Mello Franco -
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