I M F - Musicas Antigas, Rimas Antigas  e da Velha Guarda

Titulo - Pitoco - Nhô Bentico

Ritmo - Toada

Autor/es - Nhô Bentico / Abílio Victor

Obs. -Gravação de Rolando Boldrin - PRINCE, meu grande amigo - "Parece qu'inté se ria, Da minha patifaria, De num podê le sarvá !-  Letra enviada por Clair Santos/Manaus - Atualização 2011

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(declamado)
Pitoco era um cachorrinho,
Qu'eu ganhei do meu padrinho,
Numa noite de natá !
Era esperto, muito ativo,
Tinha dois zóio bem vivo,
Sartando pra-cá, pra-lá.

Bem cedo me levantava,
Pitoco que me acordava,
C'os latido, sem pará,
Me fazia tanta festa,
Lambia na minha testa,
Quiria inté me bejá.

Nos dumingo, bem cedinho,
Pegava meu bodoguinho,
Os pelote no borná,
Pitoco corria na frente,
Dano sarto de contente,
Rolano nos capinzá.

Aquele devertimento,
De grande contentamento,
Ia inté no sor entrá.

Era dumingo de mêis,
E dia de Santa Ineis: 
Tinha festa no arraiá,
Minha mãe, as criançada,
Tudo de rôpa trocada,
Na capela foi rezá;
Fugino por ôtra estrada,
C'o pitoco fui caçá.

Hoje, dói minha concência,
Pra morde a desobidiência,
Pitoco latia... latia,
Mostrano tanta alegria,
Sem nada podê cismá;
I eu tacava um pelote,
Fazeno virá cambóte,
Um pobre cara-cará.

Pitoco me acumpanhava;
De veis in quano sentava,
E quiria adivinhá...

De repente fiquei fria,
Gritei pr'a virge maria,
Que pudia me sarvá,
Uma urutu das dorada,
Num gaio dipindurada,
Tava pronta pra sartá !

Pitoco ficô arrepiado,
Ficô c'o zóio vidrado,
E deu um sarto mortá: 
Se cumbateu c'a serpente,
Repicô tudo de dente,
Mais num pôde se escapá.

Pitoco morreu latindo,
Os zóio vivo, tão lindo,
Foi fechano devagá;
Parece qu'inté se ria,
Da minha patifaria,
De num podê le sarvá !..

Copyright © 2004         -         Ilnio de Mello Franco        -        Cruzeiro/SP
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