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Me perdoa, Portela querida,
Se um dia na vida,
Tentei te exaltar,
Se meu samba sem nada de novo,
Na rua, este povo, gostou de cantar,
Me perdoa, meu pranto na rua,
Na noite tão tua, te vendo passar,
Meu orgulho vestido de conde,
Caminho por onde pensei te encontrar,
Me perdoa, meus muitos cansaços,
Vivendo em teus passos,
Morrendo de amor,
Se te digo que nada reclamo,
Se ainda te amo,
Sem mágoa ou rancor,
Me perdoa,
Eu não ter raízes,
Raízes que dizes, não podes me dar,
Estes versos que arranco do peito,
Que canto sem jeito,
Querendo chorar,
Quem me dera uma pele morena,
Um barraco na beira do trem,
Um botéco,
Uma esquina pequena,
Que no asfalto o sambista não tem,
Quem me dera eu viver no subúrbio,
E te amar sem ninguém,
Pra me condenar.
Chorei, chorei, chorei,
No Portelão,
Portela do meu coração,
Cadê meu coração....
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Ilnio de Mello Franco -
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