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Varredor da meia noite,
Varre as folhas esquecidas,
Pelas ruas espargidas,
No abandono, pelo chão.
Ninguém louva esse trabalho,
A vassoura é o espantalho,
Dessa impreme multidão,
Varredor, já bem velhinho,
Não tem lar, vive sozinho,
A cantar na solidão !
Varredor que varre as ruas,
Já tiveste algum amor ?
Todo amor é uma tortura,
Que nos traz a desventura,
E no peito o amargor,
Varredor que já tiveste,
Uma esposa e um filho bom,
Rolou tudo pela vida,
Na folhagem ressequida,
Varre o próprio coração !
Varredor o esquecimento,
Varre altivo num momento,
Esta folha abandonada,
Na poeira, pelo chão,
Quantas vezes foi pisada,
Sobre as pedras da calçada,
Sem bramir, na convulsão,
Varre enfim cantarolando,
O farrapo miserando,
Da tua última ilusão !...
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Copyright © 2004 -
Ilnio de Mello Franco -
Cruzeiro/SP
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