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Amigo, que ironia desta vida,
Você chora na avenida,
Pro meu povo se alegrar,
Eu bato forte em você,
E aqui dentro do peito uma dor,
Me destrói,
Mas você me entende,
E diz que pancada de amor não dói.
Eu bato forte em você,
E aqui dentro do peito uma dor,
Me destrói,
Mas você me entende,
E diz que pancada de amor não dói.
Meu surdo parece absurdo
Mas você me escuta
Bem mais que os amigos lá do bar
Não deixa que a dor
Mais lhe machuque
Pois pelo seu batuque
Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar
Meu surdo bato forte no seu couro
Só escuto este teu choro
Que os aplausos vêm pra consolar
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Meu surdo, velho amigo e companheiro
Da avenida e de terreiro,
De rodas de samba e de solidão
Não deixe que eu vencido de cansaço
Me descuide desse abraço
E desfaça e compasso do passo do meu coração
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói
Mas você me entende
E diz que pancada de amor não dói
Eu bato forte em você
E aqui dentro do peito uma dor
Me destrói.
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Copyright © 2004 -
Ilnio de Mello Franco -
Cruzeiro/SP
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