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Bem sei que tu me
desprezas,
Bem sei que me aborreces,
Zombando das minhas preces,
Com orgulhoso desdém,
Mas eu suponho, não creias,
Que o teu vigor, me consome,
Pois mesmo pobre e sem nome,
Sei desprezar-te também !
Bem sei mulher, reconheço,
Que fui um louco em fitar-te,
Muito mais louco em amar-te,
Sem consultar a razão,
Aquelas doces promessas,
Que nos teus olhos eu lia,
Não eram mais que ironia,
Não eram mais que ambição.
Se de custosos brilhantes,
Tu, tens a fronte adornada,
Eu, tenho inundada,
Das ondas da inspiração,
Se eu não troco orgulhoso,
Por teu tesouro fulgente,
Uma só nota pungente,
Da lira do coração....
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Copyright © 2004 -
Ilnio de Mello Franco -
Cruzeiro/SP
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