I M F - Musicas Antigas, Rimas Antigas  e da Velha Guarda

Titulo - O Ébrio

Ritmo - Canção

Autor/es - Vicente Celestino

Obs. - Gravada por Vicente Celestino - Atualização de fevereiro de 2004 

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( Recitando )
Nasci artista, fui cantor, ainda pequeno, levaram-me para uma escola de canto.
O meu nome foi crescendo, crescendo até chegar aos píncaros da glória. Durante a minha trajetória artística, tive vários amores.  Todas elas juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me a saudade e a dor. Uma noite, quando eu cantava Tosca, uma jovem da primeira fila, atirou-me uma flor.  Essa jovem, veio a ser mais tarde a minha legitima esposa. Um dia, quando eu cantava A Força do Destino, ela fugiu com outro, deixando-me uma carta um adeus.  Não pude mais cantar.  Mais tarde lembrei-me contudo, que ela havia deixado um pedacinho de seu eu :  a minha filha.  Uma pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de educar.  Voltei novamente a cantar, mas, só por amor a minha filha.  Eduquei-a; fez-se moça bonita ! E, uma noite quando eu cantava mais uma vez A Força do Destino ; Deus levou a minha filha para nunca mais voltar.  Daí para cá, eu fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa ; até acabei por levar uma vaia, cantando em pleno picadeiro de um circo.  Nunca fui nada.  Nada não ! Hoje porque bebo afim de esquecer a minha desventura ; 
chamam-me Ébrio, Ébrio !!!!

(Cantando )
Tornei-me um ébrio, na bebida busco esquecer,
Aquela ingrata que eu amava, e que me abandonou,
Apedrejado pelas ruas, vivo a sofrer,
Não tenho lar, e nem parentes, tudo terminou.

Só nas tabernas é que encontro o meu abrigo, 
Cada colega de infortúnio, um grande amigo,
Que embora tenham como eu seus sofrimentos,
Me aconselham, e aliviam os meus tormentos.

Já fui feliz e recebido com nobreza até,
Nadava em ouro, e tinha alcova de cetim,
E a cada passo um grande amigo em que depunha fé,
E nos parentes, confiava sim...

E hoje ao ver-me na miséria, tudo vejo então,
O falso lar que amava, e a chorar deixei,
Cada parente, cada amigo, um ladrão,
Me abandonaram, e roubaram o que amei.

Falsos amigos, eu vos peço, imploro a chorar,
Quando eu morrer a minha campa nenhuma inscrição,
Deixai que os vermes pouco a pouco venham terminar,
Este ébrio triste, e este triste coração,
Quero somente na campa em que eu repousar, 
Os ébrios loucos como eu venham depositar,
Os seus segredos, ao meu derradeiro abrigo, 
E suas lágrimas de dor ao peito amigo....

Copyright © 2001   -   Ilnio de Mello Franco   -   Cruzeiro/SP
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