I M F - Musicas Antigas, Rimas Antigas  e da Velha Guarda

Titulo - Naquele Tempo

Ritmo - Choro

Autor/es - Pixinguinha / Benedito Lacerda. Letra: Jair Amorim

Observações -  25/10/2003

* * * * * * * * * * *

Naquele tempo,
O amor nascia devagar,
Na dádiva da flor,
Na troca ingênua de um olhar.

À noite os violões choravam,
Primas e bordões,
Sofria o malmequer,
Nas mãos nervosas, ansiosas,
De quem fosse perguntar,
À pétala final,
Se era mesmo amor,
Aquele amor doce e fatal.

E então nas madrugadas,
Do mais lírico luar,
Modinhas se espalhavam pelo ar!

Naquele tempo era a graça da raça na praça,
E um sorriso furtivo ao passar,
E ouvia-se tocar Ernesto Nazareth,
Noturnos de Chopin bem cedo no café,
À noite inteira nos saraus,
Só se ouvia Strauss,
E ainda tinha a cartinha que vinha,
E que, linha por linha, trazia feliz,
Segredos de um amor, perfumes de Paris.

Amar era tão bom,
Tão bom aquele olhar moleque,
Atrás de um leque de crepom.

Ai, quem me dera a primavera,
Dos meus tempos de rapaz,
Lembrança feliz das serenatas que fiz,
De tantos anos de paz,
E que não voltam jamais.

E como dói a saudade da perdida mocidade,
Aos sonhos meus triste é dizer,
E hoje vivo a repetir,
Adeus....

Copyright © 2001   -   Ilnio de Mello Franco   -   Cruzeiro/SP
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