| IMF - Inesquecíveis Músicas Fagueiras |
| Luar do Sertão |
| Toada |
| Catulo da Paixão Cearense |
| Letra completa e Original, extraída do livro "Minhas Serestas" de Loris R. Pereira, paginas 61/64. |
| Atenção de Wandinha e Marialva |
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| "Não há, ó gente, oh não, |
| Luar, como este do sertão. " |
| (Refrão) |
| Oh que saudade do luar da minha terra, |
| Lá na serra branquejando, |
| Folhas secas pelo chão, |
| Esse luar cá da cidade, tão escuro, |
| Não tem aquela saudade, |
| Do luar lá do sertão. |
| (refrão) |
| Se a lua nasce por detrás, da verde mata, |
| Mais parece um sol de prata, |
| Prateando a solidão, |
| E a gente pega na viola que ponteia, |
| E a canção é a lua cheia, |
| A nos nascer no coração. |
| (refrão) |
| Quando vermelha, no sertão desponta a lua, |
| Dentro d'alma, onde flutua, |
| Também rubra, nasce a dor, |
| E a lua sobe... |
| E o sangue muda em claridade ! |
| E a nossa dor muda em saudade... |
| Branca, assim, da mesma cor !!! |
| (refrão) |
| Ai !... Quem me dera, que eu morresse lá na serra, |
| Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez ! |
| Ser enterrado numa grota pequenina, |
| Onde à tarde a surunina, |
| Chora sua viuvez. |
| (refrão) |
| Diz uma trova, |
| Que o sertão todo conhece, |
| Que se à noite o céu floresce, |
| Nos encanta e nos seduz, |
| É porque rouba dos sertões as flores belas, |
| Com que faz essas estrelas, |
| Lá do seu jardim de luz !!! |
| (refrão) |
| Mas como é lindo ver depois, |
| Por entre o mato, |
| Deslizar, calmo o regato, |
| Transparente como um véu, |
| No leito azul das suas águas, murmurando, |
| Ir, por sua vez roubando, |
| As estrelas lá do céu !!! |
| (refrão) |
| A gente fria desta terra sem poesia, |
| Não se importa com esta lua, |
| Nem faz caso do luar, |
| Enquanto a onça, lá na verde capoeira, |
| Leva uma hora inteira, |
| Vendo a lua a meditar. |
| (refrão) |
| Coisa mais bela neste mundo não existe, |
| Do que ouvir um galo triste, |
| No sertão, se faz luar, |
| Parece até que a alma da lua é que descanta, |
| Escondida na garganta, |
| Desse galo a soluçar !!! |
| (refrão) |
| Se Deus me ouvisse, com amor e caridade, |
| Me faria esta vontade, |
| -O ideal do coração ! |
| Era que a morte, |
| A descantar, me surpreendesse, e eu morresse |
| Numa noite de luar, no meu sertão ! |
| (refrão) |
| E quando a lua surge em noites estreladas, |
| Nessas noites enluaradas, em divina aparição |
| Deus faz cantar o coração da natureza, |
| Para ver toda a beleza do luar do Maranhão ! |
| (refrão) |
| Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia, |
| -A do meu sertão, do meu sertão primaveril, |
| Disse aos arcanjos que era o hino da poesia, |
| E também a Ave Maria, da grandeza do Brasil ! |
| (refrão) |
| Pois só nas noites do sertão de lua plena, |
| Quando a lua é uma açucena, |
| É uma flor primaveril, |
| É que o poeta, descantado a noite inteira.... |