I M F - Musicas Antigas, Rimas Antigas  e da Velha Guarda

Titulo - Cidadão

Ritmo - Toada

Autor/es - Lucio Barbosa

Obs. - Gravação de Zé Geraldo, 1.988 - Letra enviada por Edson Faria. - Atualização de julho de 2004 

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Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar,
Foi um tempo de aflição,
Eram quatro condução,
Duas pra ir, duas pra voltar,
Hoje depois dele pronto,
olho pra cima e fico tonto,
Mas me chega um cidadão,
E me diz desconfiado,
Tu tá aí admirado,
Ou tá querendo roubar?

Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido,
Dá vontade de beber,
E pra aumentar o meu tédio,
Eu nem posso olhar pro prédio,
Que eu ajudei a fazer.

Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá,
Lá eu quase me arrebento,
Pus a massa fiz cimento,
Ajudei a rebocar,
Minha filha inocente,
Vem pra mim toda contente,
Pai vou me matricular,
Mas me diz um cidadão,
Criança de pé no chão,
Aqui não pode estudar.

Esta dor doeu mais forte,
por que que eu deixei o norte,
Eu me pus a me dizer,
Lá a seca castigava,
Mas o pouco que eu plantava,
Tinha direito a comer.

Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém,
Pus o sino e o badalo,
Enchi minha mão de calo,
Lá eu trabalhei também,
Lá sim valeu a pena,
Tem quermesse, tem novena,
E o padre me deixa entrar.

Foi lá que Cristo me disse,
Rapaz deixe de tolice,
Não se deixe amedrontar,
Fui eu quem criou a terra,
Enchi o rio, fiz a serra,
Não deixei nada faltar.

Hoje o homem criou asas,
E na maioria das casas,

Eu também não posso entrar.

Hoje o homem criou asas,
E na maioria das casas,

Eu também não posso entrar....

Copyright © 2001   -   Ilnio de Mello Franco   -   Cruzeiro/SP
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