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Talvez um dia, não mais existam aramados,
E nem cancelas, nos limites da fronteira,
Talvez um dia milhões de vozes se erguerão,
Numa só voz, desde o mar as cordilheiras,
A mão do índio, explorado, aniquilado,
Do Camponês, mãos calejadas, e sem terra,
Do peão rude que humilde anda changueando,
É dos jovens, que sem saber morrem nas guerras.
América Latina, Latina América,
Amada América, de sangue e suor.
Talvez um dia o gemido das masmorras,
E o suor dos operários e mineiros,
Vão se unir à voz dos fracos e oprimidos,
E as cicatrizes de tantos guerrilheiros,
Talvez um dia o silêncio dos covardes,
Nos desperte da inconsciência deste sono,
E o grito do sepé na voz do povo,
Vai nos lembrar, que esta terra ainda tem dono.
E as sesmarias, de campos e riquezas,
Que se concentram nas mão de pouca gente,
Serão lavradas pelo arado da justiça,
De norte a sul, no Latino Continente....
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Copyright © 2004 -
Ilnio de Mello Franco -
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